Após 15 horas de barco de Melgaço até Belém, alunos-atletas têm uniformes extraviados, mas resolvem o problema cinco minutos antes da estreia nas OEs
Megaço, Ilha de Marajó (Foto:Ana Carolina Fontes)
O pânico foi imediato. Ainda na capital, conseguiram comprar algumas camisetas, mas ainda assim, precisavam do nome do colégio e os número dos atletas estampados, de acordo com as regras da competição. Não deu tempo de resolver a situação antes de pegar o ônibus rumo a Minas Gerais, onde se passaram mais de 40 horas, sem saber se conseguiriam estar prontos para estreia. Eles chegaram na cidade mineira de madrugada e iriam entrar em quadra pela manhã. E apenas cinco minutos antes de soar o apito, o professor entrou em quadra com os uniformes prontos.
- A organização nos informou que se não tivéssemos os uniformes numerados e com o nome da escola, poderíamos até jogar, mas não iríamos pontuar. Acabou que deu tudo certo na última hora. Infelizmente, não conseguimos passar para a próxima fase, mas já é uma vitória estar aqui. Passamos por uma seletiva com várias cidades do Pará e vamos seguir treinando. Como diz o nosso técnico, a repetição leva à perfeição - afirmou Patrick Souza, de 14 anos, que participa do campeonato pela primeira vez. Os marajoaras foram derrotados pelo EBM Baselisse Virmon (SC) por 31 a 18, na estreia, e nesta quinta-feira, caiu novamente, dessa vez diante do Castro Alvez (ES), por 31 a 19.
- Nosso maior meio de locomoção são os barcos, uma viagem de 10 horas é considerada normal, estamos acostumados. Nos cansamos bem mais de andar de ônibus do que de barco. A parte mais cansativa da viagem até Poços de Caldas foi a estrada, atravessamos quase o Brasil inteiro, passamos por Alagoas, Maranhão, Tocantins, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Parávamos apenas para fazer as refeições por 30 minutos, tomávamos um banho por dia nos postos. Ainda estamos cansados, mas valeu a pena. Agora já estamos com saudades de comer o nosso açaí com mandioca - contou Matheus Viegas, que disputou as Olimpíadas Escolares pela segunda vez seguida.
A Escola Tancredo Neves já venceu três vezes a disputa da região e conquistou o bicampeonato paraense na competição. No caminho até a etapa nacional, a equipe venceu o torneio regional, que contou com dez equipes das diversas cidades do arquipélago, entre elas, equipes da capital econômica, Breves, e da capital turística, Soure, classificando-se para a seletiva estadual, disputada na capital do estado. Os campeões de cada um dos nove torneios regionais se enfrentaram em Belém. Mais de seis mil alunos-atletas participaram dos regionais paraenses somente no handebol masculino.
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